sábado, 10 de março de 2012




MUY VALOROSA E LEAL




PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE


teus filhos espúrios derramam-se nos seus seios,

mas tua láctea alimenta asfalto, parques, moinhos

tuas veias negras são para seres metálicos,

seus preferidos se adornam com ternos e estolas,

em meio a cristais, mezaninos  e operas;

porém no ventre da noite mendigos urinam a cachaça, destilam sangue


PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

teus vales estão contaminados por povo,

que labutam, estendem panos, são espancados,

teus metais de bronze em herois na praça,

são moeda de troca para matar a fome
ou sonhos vagabundos

tuas pichações não mentem:

"AS INJUSTIÇAS NÃO CABEM DENTRO DA URNA"


PÁ  -  P.A,  POA, PORTO ALEGRE

teu lago é a lagrima do excluído,

tuas luzes burguesas atraíram mariposas,

que morrem nos teus becos exalando miséria,

tuas noites, bares, desesperanças, chacinas,

teus livros e espaços públicos são a arquitetura da exclusão,

tuas crianças pobres cheiram cola,
(crack)

o vício como educação,



PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

teus poetas tradicionais estrupam a musa da verdade

não sei te cantar em versos,

nem exaltar teu por do sol,

o real está mais perto,

mora na cruzeiro,

circula na mostardeiro,


PA  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

porto alegre de todos os cheiros,

emanam da gastronomia,

das fezes e urinas no passeio,

esgoto, dilúvio e arroio,


PÁ  - P.A., POA, PORTO ALEGRE

tuas pernas roliças estão flácidas,

teu corpo rotundo,

tua barriga explicita e burguesa consome a esperança,

tuas nádegas flatulentas abafam o perfume,

que espuma hidrofobia em direção aos indigentes...




P.A.

POA

PORTO ALEGRE

PLÁ...