sexta-feira, 29 de novembro de 2013

All of me




 


Nothing for me


Lá vai Billie Holiday na madrugada cold


Fria


Cortando a neblina com a voz rasgada 

Felina...


Porto Alegre respira, solfeja o álcool de seus bairros boêmios, 


Mas são outros tempos,


visões chauvinistas  impregnam Sua alma...


Não temos mais o Isaac das quentes noites do Alaska, 


Visões budistas, ervas de Castanheda e copos plenos...


Agora os pálidos religiosos tentam impor seus dogmas,


Suas pregações capitalistas,


seus evangelhos da moeda...


De repente...


um assovio meloso e ácido vai ganhando corpo,


Um mendigo traz nos lábios ressequidos um blues de Janis Joplin...


Por momentos, uma aura brilhou do passado,


Havia uma bruma que fervia, fedia, olorava cannabis,


Longos cabelos, uma boa nova, uma revolução da paz...


Mas um estridente ruido rasgou o negro asfalto,


Tiros ecoaram,


Mendigos encharcados de sangue e urina


Abandonam seus papelões


Temementes a bala, ao fogo e aos patrões...


Os que prometiam sonhos assumiram o poder,


Mas o mercado Demanda:










An Overdose of Orwell


&

Excess Consumption






Em cada casa, em cada rua, em cada cidade, 

em cada país, 

em todo mundo,


A todo momento, em todo pensamento:


Survellaince, Olho Digital, Documentos, Cartão de Crédito, 



IDEOLOGIA 

I

Sorria: 


Governos & Corporações


Querem te controlar...





Sou um Fruto Estranho...


Os mocassins desgastados voltaram a rotina...


O moedor de carne humana  tritura  seus sonhos...


Porém nas noites Frias e solitárias de Porto Alegre 



Billie Holiday me faz compania...





 


sábado, 10 de março de 2012




MUY VALOROSA E LEAL




PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE


teus filhos espúrios derramam-se nos seus seios,

mas tua láctea alimenta asfalto, parques, moinhos

tuas veias negras são para seres metálicos,

seus preferidos se adornam com ternos e estolas,

em meio a cristais, mezaninos  e operas;

porém no ventre da noite mendigos urinam a cachaça, destilam sangue


PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

teus vales estão contaminados por povo,

que labutam, estendem panos, são espancados,

teus metais de bronze em herois na praça,

são moeda de troca para matar a fome
ou sonhos vagabundos

tuas pichações não mentem:

"AS INJUSTIÇAS NÃO CABEM DENTRO DA URNA"


PÁ  -  P.A,  POA, PORTO ALEGRE

teu lago é a lagrima do excluído,

tuas luzes burguesas atraíram mariposas,

que morrem nos teus becos exalando miséria,

tuas noites, bares, desesperanças, chacinas,

teus livros e espaços públicos são a arquitetura da exclusão,

tuas crianças pobres cheiram cola,
(crack)

o vício como educação,



PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

teus poetas tradicionais estrupam a musa da verdade

não sei te cantar em versos,

nem exaltar teu por do sol,

o real está mais perto,

mora na cruzeiro,

circula na mostardeiro,


PA  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

porto alegre de todos os cheiros,

emanam da gastronomia,

das fezes e urinas no passeio,

esgoto, dilúvio e arroio,


PÁ  - P.A., POA, PORTO ALEGRE

tuas pernas roliças estão flácidas,

teu corpo rotundo,

tua barriga explicita e burguesa consome a esperança,

tuas nádegas flatulentas abafam o perfume,

que espuma hidrofobia em direção aos indigentes...




P.A.

POA

PORTO ALEGRE

PLÁ...